Uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos poderá resultar na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, colocando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no centro de uma polêmica que transcende as relações diplomáticas e afeta diretamente o comércio exterior.

Relatório do USTR

O relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) menciona as decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais como uma das razões que justificam a aplicação dessas tarifas, alegando que tais práticas brasileiras prejudicam os interesses econômicos americanos.

O documento afirma que ordens de remoção de conteúdos e suspensão de perfis em redes sociais operadas por empresas dos EUA tiveram um impacto negativo sobre as operações dessas companhias no Brasil. Além disso, critica o fato de algumas dessas determinações terem sido emitidas em sigilo, dificultando a comunicação com os usuários afetados.

Outros fatores de tensão

O USTR também destaca o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro, o Pix, como um ponto de discórdia. Segundo o governo americano, o Banco Central do Brasil atua simultaneamente como regulador e operador desse sistema, o que criaria uma vantagem competitiva em relação a empresas americanas.

O relatório ainda aponta problemas relacionados a acordos tarifários do Brasil com outros países, questões de propriedade intelectual, e políticas de combate à pirataria e ao etanol, alegando que as tarifas impostas ao etanol americano prejudicam a competitividade do produto nos mercados.

Desmatamento e corrupção

A investigação não se limita a aspectos comerciais; aborda também temas como corrupção e desmatamento ilegal. O USTR critica a eficácia das políticas anticorrupção no Brasil e menciona a possibilidade de que produtos agropecuários brasileiros entrem no mercado internacional a preços mais baixos, favorecidos por falhas na legislação ambiental.

Fase de consulta pública

Embora a investigação já tenha sido concluída, o governo dos EUA ainda não decidiu sobre a implementação das tarifas. O processo entra em uma fase de consulta pública, onde interessados poderão se inscrever para participar de audiências até 22 de junho, e enviar contribuições escritas até 1º de julho.

Proximidade nas negociações

Após a divulgação do relatório, Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que as negociações com o governo brasileiro continuam. Ele destacou que, apesar de várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda existem diferenças significativas que precisam ser resolvidas antes do prazo legal de 15 de julho, quando o governo americano decidirá se implementará as tarifas.