Trabalhadores da atenção primária da rede municipal de saúde de Belo Horizonte relatam que o término e a não renovação de contratos temporários estão comprometendo o atendimento à população. Um levantamento feito pelos profissionais revelou que, até o dia 18 de maio, havia 334 vagas abertas em 153 unidades de saúde.

Impacto nos profissionais de saúde

Um dos profissionais afetados é o médico da família Múcio Rudimar, que atuava há quatro anos em um centro de saúde na Região Noroeste de BH. Sem a renovação de seu contrato em abril, ele deixou de atender em média 12 pacientes por dia. "O vínculo com meus pacientes é muito forte, e eles estão sentindo minha falta. Essa conexão é fundamental para a qualidade do atendimento", comentou.

Denúncias de sobrecarga

O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) manifestou preocupação com a situação. Os trabalhadores têm relatado que a redução das equipes está gerando sobrecarga e desassistência. Os cortes abrangem médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, afetando diretamente a qualidade do atendimento à população.

Insuficiência de profissionais

André Christiano dos Santos, presidente do Sinmed-MG, destacou que a falta de profissionais é um problema histórico. Segundo ele, os contratos temporários, que deveriam ser uma solução para demandas emergenciais, tornaram-se a norma. "No último concurso realizado pela prefeitura, foram aprovados cerca de 2.500 trabalhadores, mas existem 7.000 vagas de contratos temporários. Mesmo convocando todos os aprovados, a demanda ainda não seria atendida", afirmou.

Consequências nos serviços de saúde

O centro de saúde Primeiro de Maio, localizado na Região Norte de Belo Horizonte, é um dos mais impactados pelos cortes. Dez profissionais com contratos não renovados resultaram em serviços como curativos e observações comprometidos, além da redução do horário da sala de vacina.

Opinião de especialistas

A professora Vanessa de Almeida, do Departamento de Gestão em Saúde da UFMG, alerta que os cortes podem prejudicar a qualidade da assistência. "Estudos mostram que uma boa organização na atenção primária pode resolver até 75% dos casos que chegam aos centros de saúde. Quanto mais tempo um profissional permanece na mesma área, melhor é para a população e para os indicadores de saúde", explicou.

Posicionamento da Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte declarou que alguns contratos de técnicos de enfermagem foram renovados recentemente, mas as vagas para médicos e enfermeiros ainda não foram preenchidas. Em nota, a secretaria afirmou que "os desligamentos ocorreram devido ao fim de contratos temporários, conforme os termos acordados" e que "processos de renovação e novas contratações estão em andamento".