Tarcísio de Freitas, popularmente conhecido como "Tarcisão do Asfalto", viu sua reputação como um gestor de infraestrutura em xeque devido aos resultados de suas concessões rodoviárias. Enquanto foi ministro da Infraestrutura entre 2019 e 2022, ele leiloou um total de 3.900 km de estradas. Em contraste, o governo atual de Lula já realizou 23 leilões, prevendo mais de 14 mil km de rodovias até dezembro deste ano.

Comparação com Outras Gestões

No período em que Tarcísio esteve à frente do ministério, seu sucessor, Marcelo Sampaio, leiloou um projeto adicional, elevando o total durante sua gestão para 3.900 km. Por outro lado, o governo Lula, sob a gestão de Renan Filho, já ultrapassou essa marca em leilões rodoviários, o que levanta questões sobre a eficácia das políticas de Tarcísio.

Como governador de São Paulo, Tarcísio também se destacou em leilões rodoviários, realizando seis certames, superando as gestões de seus antecessores. Contudo, a extensão total das rodovias concedidas por ele é inferior à das gestões anteriores, que totalizaram 1.873 km. O governo paulista argumenta que a comparação deve levar em conta a complexidade dos projetos.

Eficiência e Modelos de Concessão

O governo Tarcísio defende que indicadores como extensão da malha e valores arrecadados não são suficientes para medir a eficiência das concessões. Eles enfatizam que é preciso considerar a qualidade dos serviços, segurança viária e a complexidade das obras. Tarcísio promoveu 84 leilões em sua passagem pelo ministério, enquanto a gestão Lula realizou 66, mas a comparação é mais complexa no setor de portos.

Na sua gestão, Tarcísio adotou o modelo de Parcerias Público-Privadas (PPPs) em alguns projetos, o que implica que o governo financiará parte das obras ao longo do tempo. Isso levanta debates sobre a sustentabilidade financeira das concessões e a lógica de arrecadação de pedágios, principalmente em rodovias com baixo fluxo de veículos.

Investimentos e Desafios Futuros

Durante sua gestão, Tarcísio prometeu R$ 39,6 bilhões em investimentos para 1.614 km de rodovias. Em comparação, as gestões anteriores planejaram investimentos de R$ 27,9 bilhões para uma malha maior, ajustados pela inflação. A administração atual argumenta que, apesar de uma malha menor, os projetos são mais complexos e envolvem mais obras urbanas.

Os desafios enfrentados por Tarcísio na área de concessões rodoviárias refletem a necessidade de uma análise mais profunda sobre a eficiência das políticas adotadas, além de uma avaliação justa sobre os modelos de financiamento e os benefícios sociais e logísticos proporcionados por essas infraestruturas.