A eleição presidencial de 2026 está se aproximando e, segundo especialistas, o cenário econômico estará marcado por uma série de estímulos ao crédito e ao consumo, que prometem aquecer a economia. Contudo, a realidade para o próximo presidente pode ser bem distinta ao assumir o cargo em janeiro de 2027.

Riscos de Desaceleração Econômica

Estudos indicam que o crescimento esperado para este ano está sustentado por políticas temporárias, enquanto questões estruturais, como a dívida pública e a taxa de juros, permanecem sem soluções. Com isso, a economia pode aparentar força durante a eleição, mas enfrentar uma desaceleração logo depois.

O analista Vitor Scalet, da XP, ressalta que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, se eleitos, terão que lidar com essa possível queda na atividade econômica, à medida que os programas de estímulo deixarem de vigorar.

Desafios Políticos e Institucionais

A cientista política Lara Mesquita, da FGV, destaca que o próximo presidente precisará focar não apenas em questões econômicas, mas também na composição do Congresso. A nova configuração legislativa terá um papel crucial na aprovação de políticas e medidas governamentais.

Com um Congresso mais programático e ideológico, a autonomia do Executivo foi ampliada, limitando a margem de manobra do governo para implementar sua agenda econômica. Essa mudança institucional exige que o futuro presidente esteja preparado para negociar e buscar apoio no Legislativo.

Problemas Fiscais Persistem

Além da desaceleração econômica, o próximo governo enfrentará a necessidade de lidar com um problema fiscal crônico. Especialistas afirmam que o Brasil precisa de um superávit de pelo menos 2,5% para garantir a sustentabilidade da dívida pública, o que exigirá cortes de gastos ou aumento na arrecadação.

Com mais de 90% do orçamento engessado, a tarefa de ajustar as contas se torna ainda mais complexa, e qualquer presidente encontrará esse desafio à sua porta.

Ajuste Fiscal e Expectativas Econômicas

A percepção é clara: independentemente de quem for o vencedor, o próximo presidente encontrará uma economia com crescimento moderado e juros elevados. O debate inicial do novo mandato girará em torno da capacidade do governo de apresentar uma estratégia crível para estabilizar as contas públicas.

Um ajuste fiscal consistente poderá facilitar a redução da taxa de juros e melhorar as expectativas econômicas. Caso contrário, o país continuará lidando com uma economia frágil e inflação persistente.

Fatores Externos e Desafios Adicionais

Os analistas alertam que a situação interna não será o único fator que afetará o próximo governo. Questões como a política monetária dos Estados Unidos, o desempenho do dólar e eventos geopolíticos também terão impacto no cenário econômico brasileiro.

Entretanto, a eleição de 2026 pode ocorrer com uma percepção de melhora econômica. O grande desafio será transformar essa impressão em um crescimento sustentável, especialmente quando os estímulos eleitorais forem retirados.