A linha de produção do caça sueco Gripen E no Brasil passará por uma expansão devido à recente compra do modelo pelo governo da Ucrânia. Na semana passada, um acordo foi firmado entre Kiev e Estocolmo para a venda de 20 aviões fabricados pela Saab, totalizando quase R$ 15 bilhões.
Financiamento e Produção
O financiamento do negócio será possível graças a um empréstimo da União Europeia que foi liberado após a saída do premiê húngaro Viktor Orbán, que havia vetado a transação. Mikael Franzén, chefe de vendas da Saab, afirmou que a produção precisará ser aumentada no Brasil, com a possibilidade de novas unidades sendo necessárias. Atualmente, a fábrica brasileira tem capacidade para produzir cerca de 20 Gripen anualmente, mas essa cifra pode subir para 30 ou mais.
Produção Local e Exportações
Embora a expansão da linha no Brasil não tenha como objetivo a montagem de aviões especificamente para a Ucrânia, algumas partes, como o painel digital, serão produzidas no país. Além de atender ao contrato ucraniano, a unidade da Embraer em Gavião Peixoto também fabricará 15 modelos Gripen E para a Colômbia, enquanto três aviões de dois lugares, conhecidos como F, serão feitos na Suécia.
Desafios e Contexto Atual
A Ucrânia, que perdeu um total de 114 aviões durante o conflito atual, busca reforçar sua frota com novos caças, incluindo modelos americanos F-16 e soviéticos MiG-29. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, está em negociações para a aquisição de caças franceses Rafale, embora essa compra seja considerada incerta devido ao alto custo.
Impacto na FAB
A doação de 16 Gripen C/D pela Suécia à Ucrânia levanta preocupações sobre o impacto que isso pode ter na Força Aérea Brasileira (FAB), que estava em negociações para adquirir esses modelos mais antigos. A FAB tem enfrentado desafios em sua capacidade de ataque a solo, atualmente operando 23 AMX que tiveram sua vida útil estendida.
Possíveis Novas Aquisições
Com a doação dos Gripen para Kiev, a FAB está considerando outras opções para renovar sua frota. Especulações sobre a compra de novos vetores, como o italiano M-346FA ou F-16 de arsenais europeus, estão em pauta, embora a adequação a função de ataque a solo seja uma preocupação. A Saab, por sua vez, está vivendo um período de crescimento significativo, com vendas quase dobrando de 2022 a 2025 e uma projeção de 20% de crescimento para o ano atual.
