Representantes do agronegócio e da indústria de biocombustíveis no Brasil estão se mobilizando em resposta às conclusões de uma investigação comercial realizada pelos Estados Unidos. O objetivo é evitar que medidas tarifárias impactem negativamente as exportações brasileiras.
Reação ao relatório dos EUA
Entidades do setor sucroenergético contestam as críticas feitas pelos EUA em relação ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro. Exportadores de pescado também pedem que seus produtos sejam excluídos de possíveis tarifas adicionais.
No dia 2 de junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) finalizou a investigação iniciada em 2025 e sugeriu a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados, com exceções ainda a serem definidas.
Defesa do etanol brasileiro
Entre os pontos levantados pelos EUA está a taxa aplicada ao etanol importado pelo Brasil. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) e a Bioenergia Brasil afirmam que a tarifa segue as diretrizes da Tarifa Externa Comum do Mercosul, não sendo uma medida especificamente direcionada aos EUA.
As entidades lembraram que os Estados Unidos mantêm políticas de proteção ao açúcar brasileiro, com tarifas e cotas que limitam as exportações. Elas destacam que o volume permitido representa menos de 1% das exportações brasileiras do produto.
Apelo por negociações diplomáticas
A Unica e a Bioenergia Brasil ressaltam que o etanol brasileiro é reconhecido internacionalmente por sua eficiência em reduzir emissões de gases de efeito estufa e que divergências comerciais devem ser resolvidas através de negociações diplomáticas entre os países.
Além disso, a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) pede cautela e que o governo brasileiro atue para excluir o setor pesqueiro das tarifas. O presidente da associação, Eduardo Lobo, afirmou que o pescado não é alvo da investigação e que é essencial que haja uma análise técnica durante o processo.
Expectativas do setor de carne e próximos passos
A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) também está atenta às propostas e confia na habilidade dos governos em dialogar para encontrar soluções que protejam a relação comercial. Embora os EUA sejam um mercado relevante, a associação minimiza os riscos para carnes suínas e ovos, já que o Brasil exporta para mais de 100 países.
As discussões ocorrem em um contexto de preocupação em diversos setores econômicos sobre as consequências da investigação americana, que menciona não apenas o etanol, mas também questões como o sistema de pagamentos Pix e proteção à propriedade intelectual. A proposta de tarifa ainda passará por consulta pública antes da decisão final do governo dos EUA.
Possíveis exceções na lista de produtos
Enquanto isso, uma lista de produtos brasileiros está sendo discutida para possíveis exceções à tarifa, incluindo café, carne bovina, suco de laranja, entre outros. Representantes dos setores exportadores pedem que o governo brasileiro mantenha negociações com Washington para evitar novos obstáculos ao comércio bilateral.
