Uma pesquisa recente da Koru/Chiefs.Group, realizada em dezembro com 330 líderes de recursos humanos no Brasil, revelou que apenas 4% das empresas atingiram a excelência digital em suas operações de RH. Isso significa que mais de 80% dos processos ainda operam manualmente, dificultando a tomada de decisões estratégicas.

A realidade do RH no Brasil

O estudo aponta um contraste significativo entre o discurso de um RH estratégico e a realidade enfrentada por muitos gestores. Enquanto as discussões sobre planejamento e estratégia estão em alta, os processos diários continuam a ser realizados de forma manual, resultando em fluxos desconexos e decisões baseadas na intuição.

Esse cenário levanta uma questão crucial para CEOs e diretores: o departamento de RH está contribuindo realmente para o crescimento da empresa ou está obstaculizando as operações? Para a maioria, a resposta não é animadora, pois a falta de automação resulta em perda de eficiência.

Custo invisível da burocracia

A burocracia no RH é um problema conhecido, mas seus custos raramente aparecem nos relatórios financeiros. Por exemplo, um processo de admissão manual pode levar dias, o que gera um custo real em horas de trabalho que poderiam ser otimizadas por meio de sistemas digitais. O mesmo se aplica à gestão de atestados médicos, que, sem um fluxo estruturado, resulta em uma sequência de atividades manuais que consomem tempo e aumentam as chances de erro.

Esses erros podem ser financeiramente prejudiciais, especialmente em um país com uma legislação trabalhista rigorosa. Dados do Tribunal Superior do Trabalho indicam um aumento significativo em ações trabalhistas, muitas das quais são geradas por processos mal gerenciados.

A importância da automação

A folha de pagamento é um exemplo crítico. Mesmo sendo um processo vital que não pode falhar, muitas empresas ainda dependem de intervenções manuais para sua execução. Estima-se que operações manuais nesse setor apresentam taxas de erro de 4% a 8%, enquanto sistemas automatizados podem reduzir esse número para menos de 0,5%. A diferença é crucial para a eficácia do departamento financeiro.

Um RH que se limita a executar tarefas operacionais não agrega valor estratégico ao negócio. Em contrapartida, um RH que analisa dados, identifica problemas e propõe soluções se torna um aliado essencial para o crescimento organizacional.

Transição para um RH estratégico

A transição para um RH mais estratégico não requer uma revolução radical, mas sim a identificação de processos ineficientes e a implementação de soluções digitais. A automação pode transformar operações como admissões, gestão de atestados e controle de folha de pagamento, criando um ambiente de trabalho mais eficiente e menos suscetível a erros.

O futuro do RH no Brasil

As empresas que já implementaram a automação relatam não apenas uma redução de custos, mas também uma transformação no papel do RH, que passa a ser visto como um parceiro estratégico nas decisões de negócio. À medida que a transformação digital avança, as organizações precisam acelerar essa mudança para evitar acumular passivos operacionais que podem comprometer sua competitividade.