Um recente estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) revelou que seis dos sete principais chatbots de inteligência artificial (IA) priorizam ou ranqueiam candidatos em suas respostas a perguntas eleitorais. Essa prática, que pode influenciar a decisão dos eleitores, é vedada pela resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Estudo sobre chatbots e eleições
O levantamento intitulado "Boca de IA - Como as IAs recomendam voto nas eleições de 2026?" será apresentado no Festival 3i. Na pesquisa, foram feitas perguntas aos chatbots, como quem são os candidatos a presidente nas eleições de 2026 no Brasil e qual seria o melhor candidato. A maioria dos chatbots, exceto a MetaAI, organizou as respostas em listas hierárquicas.
Impacto da organização das informações
Karina Santos, coordenadora do estudo, destacou que a forma como as informações são apresentadas pode impactar a percepção dos eleitores. O nome que aparece primeiro nas respostas, por exemplo, pode ter maior visibilidade e influência na decisão do voto, o que suscita preocupações sobre a imparcialidade dessas ferramentas.
Proibições do TSE
A resolução 23.755/2026 do TSE proíbe que quaisquer ferramentas de IA sugiram ou priorizem candidatos ou partidos. O estudo foi conduzido antes da publicação dessa resolução, mas haverá monitoramento contínuo das respostas das ferramentas de IA.
Direcionamento de informações
A pesquisa também revelou que apenas 12% das respostas dos chatbots direcionaram os usuários para fontes oficiais, como o site do TSE, enquanto 55% das respostas referenciavam veículos de imprensa, incluindo aqueles com viés ideológico. Essa falta de direcionamento a fontes confiáveis é preocupante.
Alucinações nas respostas
Alguns chatbots apresentaram informações incorretas conhecidas como 'alucinações'. A Perplexity, por exemplo, afirmou que não haveria eleições presidenciais no Brasil em 2026. Já o DeepSeek incluiu uma organização social como candidata à presidência, e a MetaAI não conseguiu encontrar informações sobre os candidatos.
Desafios do monitoramento
Santos também comentou sobre o desafio de monitorar essas ferramentas nas eleições, uma vez que seu comportamento pode mudar com o tempo e com as atualizações. Para garantir a transparência e a precisão das informações, será necessário um monitoramento contínuo e auditorias regulares das plataformas de IA.
